28 de março de 2019
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Puerpério x Powerpério

Meu filhotinho nasceu no dia 24/01 e, desde então, fiquei doida para vir aqui compartilhar com vocês uma experiência. Mas logo, na sequência, houve a tragédia em Brumadinho e fiquei meio assim de escrever sobre o puerpério.

Faço questão de vir aqui neste grupo dizer essas coisas porque AQUI encontrei uma forma muito bonita e importante de buscar apoio, informação, quietude… Já pedi dicas, já dei opinião, já fiz anônimo, e em TODAS as vezes, e mesmo ao acompanhar outros posts, fui surpreendida positivamente com o acolhimento, a entrega, os laços que se formam ainda que não possamos conhecer cada uma do grupo pessoalmente.

Medo

Tive uma gravidez clinicamente tranquila. Mas, secretamente, bem ali, nas funduras do peito, sofri horrores, ia tudo mal. Pra começar, uma gravidez não planejada – mas muito desejada! Idade ‘avançada’ (42 anos). Um descontentamento sem fim com o marido, vontade de, às vezes, jogar ele pela janela do prédio. Desânimo no trabalho. Desesperança com a política. Desespero por conta da falta de grana. Uma solidão profunda. E o medo. Desde o início, um medo aterrorizante, medo de morrer. De deixar meu outro filhotinho sozinho. De deixar o filhote na barriga sozinho. Medo de não dar conta, de falhar, de sucumbir. Medo. Parado na garganta, crises e mais crises de choro, crises de ansiedade. Medo de como o primogênito iria reagir…

Consegui dividir isso com poucas pessoas, que acabaram me ajudando, mas, ainda assim, foi barra. Parecia que estava carregando o mundo nas costas. Pra completar, o obstetra me dá a bela notícia de que cobraria, pra fazer o parto, a bagatela de R$7.000,00. Putz, e o desespero?
Sabe aquela de frase “se estiver com medo, vai com medo mesmo?”. Até porque, não tinha outro jeito. Final da gravidez pesado, aquele calorão que fez em janeiro e eu em plena programação de férias com o filhote: clube, cinema, praça, museu esplanada do Mineirão… arrastando o barrigão pra lá e pra cá. Corta pro dia 24/01.

Eu já estava sentindo contrações há vários dias. Tampão saiu no dia anterior. Aquela angústia de “será que vai dar tudo certo?”. Tava no clube, a bolsa estourou. Respira fundo, fica calma, dá banho no filho, pega sacolada, liga pra marido, liga pra mãe… E segue pra maternidade. Pra fazer o parto com o plantonista. Depois de escutar todas as histórias de terror sobre partos com plantonistas (as pessoas fazem questão, né?), mas é o que tinha pra aquele dia. E aí, sabem o que aconteceu?

Coragem

Entrar na maternidade foi como entrar pela Porta da Esperança! Mudou tudo. Tava calma, estava tranquila, estava em paz. Tirando as contrações, que naquela altura já estavam pegando, o medo foi sumindo, e me bateu uma coragem.. me bateu a coragem. Coragem da mulher, da fêmea que carrega consigo a força da natureza, que traz a memória de todas que vieram antes, que traz a energia poderosa que é dar a luz, trazer vida ao mundo… Que força violenta! Que energia!

Tudo isso foi potencializado pela humanidade com que fui tratada, desde o momento em que cheguei naquele lugar. Todos que me atenderam fizeram questão de deixar claro que aquele momento era meu. Que eu podia fazer tudo no meu tempo, do jeito que eu quisesse, aquela hora era minha. A cereja do bolo foi o médico. Plantonista. Que me olhou nos olhos, que pegou na minha mão, que me disse que eu ia conseguir, que eu sabia fazer, que ele estava apenas pra ajudar, que me olhou como ser humano e me entendeu. Pelas mãos dele, carregadas de ternura, doçura e empatia, meu pequetito chegou. E, junto com ele, uma energia maravilhosa, um poder inexplicável.

Meu corpo, até hoje, sente os reflexos desse momento. Uma quentura diferente, estou me sentindo A Mulher Maravilha!

Puerpério

Essa experiência que eu divido agora com vocês tem a ver com uma coisa que todos nós buscamos, ainda que sem saber, todos os dias de nossas vidas: a humanização, a humanidade nas relações, o respeito ao outro e a nós mesmos. A gente fala de ‘parto humanizado’, e bem sabemos o que queremos ao usar esse termo. Mas esquecemos que o que nos falta, a nós, raça humana, é que tudo o mais seja humanizado. O atendimento na loja, na escola, na esquina, no call center, no trabalho, em casa. Pelo vendedor, a professora, a amiga, o padeiro, o guarda, o vizinho, o motorista, nosso companheiro… Isso faz a diferença em nossas vidas! É isso que faz o Amor, a Alegria e todos os outros sentimentos bons fluírem. Nosso mundo precisa disso, olha só: nem começamos o ano e já estamos arrasados com tantas notícias difíceis. Bora colocar então o Amor pra circular, pra amenizar essas feridas tristes. A gente, que é mãe, tem a capacidade pra mudar o mundo!

Lorena Mayorga

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