23 de março de 2015
Comentário( 1 )

Pedras no caminho por Janaína Marçal

Fiquei grávida três vezes e três vezes a gravidez chegou até o quarto mês e eu acabava perdendo o bebê. Tive que fazer curetagem na primeira, a coisa mais horrível do mundo. Foi muito sofrimento mas, o médico e muito gente falava que era normal acontecer na primeira gravidez, e eu aceitei numa boa. Foram muitas pedras no caminho.

Uma no depois da curetagem eu estava grávida de novo. Fui para outra cidade fazer exames e ao médico, minha cidade é muito pequena, Monte Carmelo no interior de Minas, sem muitos recursos na área da saúde tudo tem que ir para Uberlândia que fica a 100 Km).

Muita expectativa e a primeira consulta com uma nova médica com o ultrassom na mão, e a médica diz que eu não tinha ficado grávida na data que falei. Disse que tinha sido depois, só que, na data que ela falou, meu marido estava viajando.Pedras no caminho

Ela falou na cara dele que tinha certeza que eu tinha engravidado uns 15 dias  depois porque o tempo não correspondia ao ao desenvolvimento do feto. Meu conversou comigo numa boa e disse que nunca passou pela cabeça dele uma traição minha e que algo parecia errado com a minha gravidez. Não é possível que iria perder meu bebê de novo! Fiquei muito chateada com a médica pela grosseria e nunca mais voltei lá.

Algum tempo depois, descobrimos que feto não estava se desenvolvendo como deveria, e, infelizmente, perdi outro bebê. A nova médica também insistindo que até a terceira perda era normal (seleção natural) apesar de, na minha cabeça, nada ser natural. Meu mundo sempre ficava em pedaços. Comecei a fazer inúmeros exames e não descobria nada.

Um ano depois, grávida novamente, comecei a tomar injeções de Clexane na barriga por suspeita de trombose no útero. Precise de repouso absoluto, mesmo assim a terceira perda aconteceu. Apesar de ter feito inúmeros exames, não achamos nada para explicar o porque de tanto abortos. Como minha médica informou, eu era muito fértil, só que, quando engravidava, a gravidez não se desenvolvia como o esperado.

Pedras no caminho
Janaína Marçal

Então ela pediu para meu marido fazer alguns exames, para ver a nossa compatibilidade sanguínea entre outras coisas. Foi um caos, ele não aceitou, disse que o problema era comigo e, se dependesse dele, não iríamos ter filho. Fiquei muito triste, por mais que eu conversasse, ele não dava o braço a torcer. Pensei em me separar, recomeçar a minha vida, mas não tinha forças nem pra isso.

O tempo foi passando e eu engordei muito, estava desempregada e resolvemos investir em um novo negócio, a nossa clínica. Me animei e deixei de lado meu grande sonho de ser mãe. Me animei  comecei a fazer regime, ia para a academia, corria, nadava,andava de bike, pegava pesado na musculação, ajudava na construção da clínica, saía pra passear com o marido, com os amigos, com a família.

Emagreci muito. Resolvemos fazer  uma viagem pra comemorar. Fomos pra Costa do Sauípe. Minha menstruação que é extremamente correta, atrasou um pouco, mas achei que era ansiedade pela viagem. Imaginei por um momento que pudesse estar grávida, mas pedi pra Deus que não, eu não queria sofrer de novo.

Tomava  champanhe o dia todo, de vez em quando tomava cerveja, fiquei de porre vária vezes, fui em inúmeros brinquedos aquáticos, bote, tirolesa. Corria na praia todo dia de manhã e ainda ia pra academia do hotel. No meia da viagem tive um pequeno sangramento, comecei a tomar anticoncepcional  e o sangramento logo parou. No ultimo dia, passei muito  mal, vomitava muito, achei que fosse a bebida, a comida e os amigos amolando falando que era gravidez e eu negava.

Chegando em casa continuei passando mal. Fiz um um exame e, pimba! Depois de tantas estripulias, depois de ter até sangramento, eu estava grávida! Resolvi consultar um médico da minha cidade mesmo. Ele logo descobri que eu já estava com mais de dois meses. Eu e meu marido conversamos e decidimos não contar pra ninguém até passar a fase crítica.

Nos três primeiros meses perdi três quilos, não conseguia comer quase nada. Mas estava tudo bem com o bebê. Vencemos o quarto mês. Soubemos que íamos ter um Menino. Mesmo assim meu medo continuava. Daí um susto, comecei a ter problemas de cólica renal, fiquei internada por quase um mês inteiro, ia pro hospital, mas logo voltava. Com as cólicas, apareciam as contrações e, naquela fase, era muito difícil meu bebê sobreviver. Perdi muito peso, só vomitava de tantas dores, não podia tomar remédios muitos fortes pra não prejudicar o bebê, uma cirurgia pra tirar as pedras era muito ariscada.

As pedras acabaram saindo. Saí do hospital no sexto mês. Comecei a comprar as coisas do quarto dele e concluir o enxoval. Ficava mais de repouso, mas tudo estava encaminhando bem . Fui para o hospital mais umas duas vezes até o final da gravidez, devido às pedras e a uma anemia. Engordei somente quatro quilos durante toda a gravidez.

Queria muito ter um parto normal, mas ainda restavam umas pedrinhas e meu médico disse que se eu fizesse muito forças elas iam mexer e eu não ia suportar as dores. Era perigoso. Meu sonho era ter a sensação da bolsa estourando. Marcamos a cesárea para o dia 30 de maio de 2012 às 07 horas da manhã, mas, no meio da Madrugada a minha bolsa estourou, que sensação incrível! Liguei para o médico e fomos pro hospital às cinco da manhã. Às 07:40 horas, Felipe Nasceu, infelizmente de cesárea, acho que o médico não fez muita questão de faze um parto normal, eu estava com contrações de 5 em 5 minutos, mas ninguém nem veio ver se eu estava com dilatação.

Felipe nasceu cabeludo, a coisa mais linda que já vi nesse mundo,  com 3,093 quilos e 50 centímetros. A maior e mais linda emoção de toda minha vida! Felipe com um ano ainda mamava em mim, nunca mamou mamadeira, nenhum outro leite. É uma criança muito saudável, está cheio de dentinhos e andando pra todo lado!

Felipe chegou no momento certo da minha vida. Foi assim que Deus quis!

Essa foi a minha história, espero que alguém que já passou por isso nunca desanime com as pedras no caminho, quando menos se espera, o que é pra ser da gente, será! Hoje Padeço Feliz!

Janaína Marçal F de Melo

 

COMENTE:

1 Avaliação de Pedras no caminho por Janaína Marçal

Aline disse : Guest Report 9 months ago

Passei por essa dor e passo ainda tenho uma filha de 13 anos perdi uma bebê com 18 semanas de gestação em 2016 , perdi um bebê com 17 semanas em 2017 e a uma semana atrás perdi outra bebê com 23 semanas, tudo muito sofrido mas sei que foi vontade de Deus.

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