23 de junho de 2015
Comentários( 19 )

Golf Ball da Marina Castro Figueiredo

Um gol, uma comemoração. Depois outra bola, a frustração de um campeonato perdido por um Golf Ball e uma longa trajetória até a vitória.

A gravidez era um sonho já antigo. Por “n” razões, das mais óbvias como a instabilidade no emprego, a esperança, ou melhor, a ilusão de encontrar a situação ideal para ter filhos, adiei por mais tempo do que queria. Eu com 32 anos, no mesmo emprego há 08 anos, marido concursado, casa própria… se não fosse agora, quando seria? Bem, última menstruação no dia 29 de julho de 2011, férias em agosto, viagem com o marido e…  gooool! Comemoramos como um título de campeonato (quase igual ao título do Galo no campeonato mineiro).

Gravidez comemorada

Primeiras consultas, ultrassonografias, tudo dentro da mais perfeita normalidade. Ao meu redor, muitas amigas grávidas de primeira viagem, minha cunhada grávida também, algumas ex-grávidas e muitas amigas pretendentes. Tudo girava em torno disso. Eu estava em êxtase com essa nova fase. Acompanhava todos os blogs, baixei aplicativos no celular, fiz cadastros em vários sites, recebia boletins diários acompanhando cada momento da gravidez.. eu vivia e comemorava 100% a tão desejada e comemorada gravidez.

Até que chegou a vez do exame morfológico – aquela ultrassonografia (US) que fazemos com mais ou menos 20 semanas de gestação para investigar a fundo a anatomia do bebê e predisposição para doenças genéticas, etc. Meu obstetra, um anjo chamado Dr. Giovanni Bosco Lages, recomendava cada US com um médico especialista naquele tipo de exame. Para o morfológico, recomendou o Dr. Gui (clínica Eccos): “detalhista e excelente profissional”, segundo meu médico.

Era janeiro de 2012. Minha cunhada, também grávida, já tinha feito o dela, estava de férias em BH e foi me acompanhar no exame. Meu marido, sempre presente em todos, foi também. Exame demorado, ansiedade enorme, tudo normal. Não sei se é assim com a maioria, mas eu tive muita dificuldade de entender as ultras. Nesse exame, com a TV na minha frente, ia acompanhando cada detalhe. O médico contava os dedinhos, falava ok. Olhava cada pedacinho… ok. Sempre espero a posição final do médico, exatamente porque não consigo observar muita coisa direito. Aí, ao final, ele disse: “está tudo bem, mas…..Identifiquei um Golf Ball. Isoladamente, não quer dizer nada, mas eu preciso registrar”.

Golf Ball? O que é isso? Como assim não quer dizer nada? Aí a explicação do médico: “Se você for consultar o Dr. google vai ver que ele está associado a síndromes cromossômicas, mas, isoladamente, como é o seu caso, não representa nenhum alerta”.  Médico não entende a gente. “Se você for consultar o dr. google..”  é igual a:  “consulte” e “ Não quer dizer nada, mas preciso registrar”, na cabeça de uma mãe de primeira viagem, é igual a: “problema na certa”.

Golf Ball -03 - padecendo
Arquivo Pessoal Marina

Bastou isso. A partir de então, minha gravidez se tornou um caos. Da sensação de uma vitória no campeonato passamos à frustração do jogo perdido.  Eu e meu marido optamos por não compartilhar nada daquilo com ninguém (exceto com minha cunhada que estava na sala de espera e que me viu saindo chorar da sala). No fundo, a gente queria acreditar no médico, acreditar que não ia gerar nenhuma complicação para o nosso bebê, nenhum risco adicional, mas, por outro lado, a gente sabia que se a gente contasse para família, ia ser uma perturbação ainda maior para nós.

Era uma bola branca (calcificação) no coração do meu bebê. Uma bola que me atormentava os pensamentos. A partir daquele exame, chorei praticamente todos os dias da minha gestação. Todos os blogs, sites, livros e aplicativos que eu lia e seguia desde então não me serviram para nada.

Golf Ball

Minha consulta ao obstetra estava marcada para a semana seguinte à do ultra. E já cheguei lá com os olhos inchados. Foi o Dr. Giovanni perguntar: “E aí? Está tudo bem?” Para eu desabar mais uma vez. E não adiantou ele dizer que isso não era nada, nem mesmo ele me dizer que em mais de não sei quantos anos de profissão, nunca houve caso de bebês com problemas cromossômicos em função de Golf Ball e que isso é comum em muitas gestações. E ele ainda disse que, a identificação do Golf Ball varia muito de acordo com a habilidade do médico que realiza o exame e a qualidade do equipamento de ultrassom. “Até o final da gravidez vai desaparecer, fique tranquila”.

Golf Ball -03 - padecendo

Aquela frase, que seria para me tranquilizar, só me fez ficar ainda mais apreensiva a cada novo exame de ultrassonografia. Eu precisava ter a certeza de que tinha desaparecido, para ter a garantia de que realmente não havia risco adicional ao bebê. E, adivinhem? Lá estava ele. Em todas as ultrassonografias. Eu fazia novas pesquisas na internet, e entre tantas informações conflitantes e heterogêneas, eu sempre observava a mesma: “ele desapareceu no próximo exame”. Comigo era diferente.

A cada nova consulta um novo puxão de orelha do Dr. Giovanni. Ele não aceitava me ver preocupada por causa daquele exame e eu não conseguia não ficar. Ficar engasgada com aquela ansiedade, sem compartilhar com outras pessoas, também só piorava. Resolvi contar para minha outra cunhada (que já tinha passado por uma gravidez e já tinha me dado um sobrinho e afilhado maravilhoso, perfeito e saudável, o Marco Antônio). E para minha surpresa, ela também teve Golf Ball! Como assim? Até então, eu não tinha relato de ninguém próximo com a mesma experiência. Somente relatos confusos de internet.

A minha cunhada me disse que o médico dela falou a mesma coisa: que não era motivo de preocupação, que desapareceria até o final da gestação. Ao contrário de mim, ela conseguiu relaxar, não pensar mais nisso. Ver a saúde do meu sobrinho, somado aos puxões de orelha constantes do meu médico foram me fazendo curtir novamente a gravidez. Volta e meia me pegava pensando ansiosa na tal bola branca, mas, a partir de então, era com maior tranquilidade.

Nessa época, reencontrei na internet uma amiga dos tempos de colégio que havia se tornado médica, especialista em medicina fetal. Recorri a ela também: Dra. Seline Rolim. Mandei cópia das ultrassonografias e ela me respondeu a mesma coisa: que não era motivo para preocupação. E disse algo mais: que ela, quando não vê outros marcadores associados, nem mesmo registra o golf Ball nos exames. Santa Dra. Seline. Ela não imagina o bem que faz para as pacientes dela!

Bem, conversar com a Dra. Seline Rolim e com a minha cunhada me fazia um bem danado. Eram minhas psicólogas, sem saber. Os meses foram se passando, eu fui me acalmando e até o mês de abril chegou, eu estava com 36 semanas. As ultrassonografias e as consultas passaram a ser semanais. Numa dessas, bem perto da Lara chegar, a minha maior felicidade. O Golf Ball tinha desaparecido! Foi um misto de tranquilidade, de alegria e de arrependimento. Arrependimento por não ter dividido aquilo antes com outras pessoas, de ter ficado tão insegura e pode ter deixado de viver ainda mais a minha gravidez.

Mas, enfim, o dia 26 de abril chegou e com ele a nossa menina Lara, saudável com seus 3.475kg. Ainda na mesa do parto, depois que a Lara e o papai saíram da sala, o Dr. Giovanni perguntou: ainda lembrou-se do Golf Ball? Para surpresa dele, eu acho, respondi, em meio às lágrimas (agora só de alegria): “claro!” Não tinha jeito de não pensar. Era o momento de maior certeza de que as coisas estariam bem realmente.

Golf Ball -02 - padecendo
Arquivo Pessoal Marina

Fica aqui então o meu relato, a minha experiência. Espero poder ajudar outras mães, já que isso parece mesmo acontecer com maior frequência do que possamos imaginar. Hoje, as inseguranças são outras. E sei que elas sempre vão existir. Bom mesmo é ter sempre amigos por perto para poder compartilhar, trocar experiências para poder enfrentar os novos desafios que essa vida de mãe nos impõe!

Por: Marina Castro Figueiredo

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17 Avaliação de Golf Ball da Marina Castro Figueiredo

Jany Cleia disse : Guest Report 2 months ago

Li o relato de todas e vi que não estou sozinha, a dois dias o medico descobriu em uma ultrassom e descobri isso quando peguei o resultado fiquei sem chão pq além dessa alteração tb tem um sisto na cabeça que o Dr disse que desaparece com um tempo. Que Deus abençoe nossos anjinhos lindos muito obrigada!!!

Kaili disse : Guest Report 5 months ago

Obrigada por seu depoimento! Ainda estou assustada mas já foi uma dose de ânimo! Que Deus nos abençoe! Ainda mais em tempo de quarentena, a cabeça fica livre pra pensar besteiras!

Ingrid disse : Guest Report 10 months ago

Me identifiquei com seu post. Como ficamos tranquilas quando o tal do golf ball aparece? Impossível kkk em uma US foi identificado o tal do golf ball estava com 24 semanas de gestação quando médico falou. Eu fiquei sem chão chorava mto todos os dias. E vamos combinar q as pesquisa no google, nessa situação, não ajudam em nada kkkk. Deixa a gente mais nervosa. Eu compartilhei com pessoas proximas a mim que já são mães E ninguém nunca ouviu falar no tal golf ball o q me deixava mais preocupada e incomodada. Em todas as minhas consultas com o obstetra ele tentava me acalma dizendo q não era nada. Resumindo teve dias q me via sem chão outros ficava mais tranquilas. Mas foi uma assombração q em e acompanhou ate final da gravidez. Hoje minha filha esta com quase 2 meses e linda saudável e perfeita. Graças a Deus. Se e um fato isolado eu imagino q nao deveriam colocar nos exames kkk só serve p nos tirar a paz. Sei q e difícil mas as mamães que tiveram esse chocolate assim como eu, conversem com seu obstetra e se ele diz q nao tem nada se errado confiem. Não deixem o medo atrapalhar essa fase tão linda q é a gestação. Curtam e aproveitem.

Larissa disse : Guest Report 10 months ago

Esse post me deixou mais tranquila, venho de uma gravidez onde perdi minha filha quando nasceu por varias complicações desde os primeiros ultrassons. E Estou aqui 3 anos depois gravida novamente e até então pensando que tudo seria diferente, primeiro ultrassom tudo ok, morfologico 2ª trimestre ok, exceto por esse golf ball, que veio para roubar minha alegria e meu sonho. A médica disse a mesma coisa pra eu não me preocupar, mas é inevitavel. É como se tudo o que ja vivi fosse acontecer novamente. Meu marido e eu tbm optamos por não dividir com ninguem, e estamos orando e confiando em Deus de que tudo dara certo.

Janayna disse : Guest Report 12 months ago

Obrigada querida, vc não sabe o quanto ler isso me acalmou, estava apavorada, agora estou mais tranquila. Descobri essa tal bola "golf ball "ontem... mais vai dar tudo certo em nome de Jesus.

Adriana disse : Guest Report one year ago

Obrigada por acalmar meu coração ❣

Haidée disse : Guest Report one year ago

Gratidão por ter escrito isso e ter compartilhado! Tira um peso enorme da minha cabeça! Só Deus sabe o quanto que eu chorei! Sei que a minha Florzinha vai superar isso com muita braveza! :)

angela cardoso disse : Guest Report 2 years ago

eu estou muito preocupada estou gravida de 23 a semanas e na minha ecografia foi diagnosticado no meu bebe golf bool o que faco esso e muito serio que pode me explcar

Gabi disse : Guest Report 3 years ago

Quando fiz a morfológica de 2° trim. e descobri o foco ecogenico no meu bebê, meu mundo caiu e eu só sabia chorar, não conseguia conversar com meu neném, como eu sempre fazia e isso me deixava pior ainda. Mesmo vendo vários outros relatos de que geralmente não era nada, meu médico tbm me alertou não ser nada significativo na grande maioria das vezes e eu me sentia mal... Achava que o médico não queria me dizer e que o eco fetal que ele me recomendou fazer era p investigar esse problema, no entanto era apenas uma rotina no pré natal e que deveria ser feito naquele momento da gestação, um exame importante e que deve ser levado para a maternidade no dia do nascimento. Meu alívio veio quando vi esse Post, exatamente esse, pq eu tinha visto outros e nada me acalmava, mas esse aqui relatou tudo o que eu estava sentindo e me confortou bastante. Resultado: o cardiologista no momento do eco fetal explicou que era apenas um único foco e que não era nada, isso some muitas vezes após o nascimento e o coraçãozinho dele estava ótimo, com tudo da forma como deveria estar para um bebê em formação. Então, só tenho a agradecer esta mãe que teve a grande sensibilidade de compartilhar aqueles dias horríveis em que viveu, agradeço principalmente pela forma como relatou o "problema", pq foi isso o que me tranquilizou, pois foi exatamente como me sentia no momento... Agora estou na contagem regressiva para a chegada do meu Heitorzinho, que mesmo sem muito espaço na barriga, continua um sapequinha, e que, com seus contínuos movimentos, me faz lembrar a todo momento do dia que está aqui comigo. Espero que outras mamães que venham a passar pelo o que passamos se tranquilizem tbm.

Lise Ribeiro disse : Guest Report 3 years ago

Olá! Esse artigo junto com os comentários me ajudaram muito, estou aguardando fazer mais um exame para ver se o Golf Boll sumiu, mesmo os outros marcadores dando negativo para anomalias genéticas esse assunto tem me tirado o sono e ânimo na gravidez. Entreguei nas mãos de Deus, obrigado por compartilhar sua história Marina Castro Figueiredo foi de grande ajuda.

Simone disse : Guest Report 3 years ago

Muuuuuuito obrigada Mariana por compartilhar conosco!!! Eu e meu marido tb vimos no resultado do exame o Golf Ball e ler o que o google tem em seu acervo é assustador! Acabou com a minha noite, mas agora ao ler a sua história e os depoimentos de outras mães me sinto mais tranquilha e confiante! obrigada de coração

maria disse : Guest Report 4 years ago

Olá, também estou passando por isso, mas resolvi que Deus é quem irá cuidar da minha pequena. Amanhã tenho consulta e tirar todas as duvidas possíveis.

Fabiana disse : Guest Report 4 years ago

Isso aconteceu comigo também ! No dia que eu pensei que seria o melhor da minha vida acabou sendo o pior, quando a medica viu o golf gol e acabei indo por google ver o que poderia ser , meu mundo acabou, fiquei pensando o quanto minha pequena poderia sofrer tendo alguma deficiencia, comecei a rejeitar meu bebe, cada mexida me incomodava, entrei em depresão, foi horrivel, Mas entreguei na mão de Deus e to mega anisosa para outra ultrasom... Estou com 26 semanas, mas hoje estou mais calma e curtindo minha gravidez e amando cada dia mais minha bebe. Se outra mamãe passou por isso me adiciona no Facebook é muito importante pra mim...meu nome lá é FABIANA LEROY

Thays Armiliato disse : Guest Report 5 years ago

Terça feira (14) fiz meu ultrassom morfologico de 5 meses de gestação , no dia do exame o médico não mencionou nada, hoje (2 dias após) fui buscar o resultado, logico que tive que abrir pra ler, mesmo ele tendo falado que esta tudo certo e me deparei com a frase " golf ball isolado no ventriculo esquerdo". O Google me fez ficar desesperada, o seu depoimento foi a unica coisa que me deixou um pouco mais tranquila, mas mesmo assim amanhã (sexta) as 08:50 estarei na consulta marcada com urgência, para metralhar o meu obstetra de perguntas. To aqui com coração apertado....

simone disse : Guest Report 5 years ago

Estou passando por isso, minha medica disse exatamente o mesmo que o seu, mas n consigo me acalmar, fico pensando que pode ter algo que ela n viu :'(

Kelly Carraretto disse : Guest Report 5 years ago

Passei por esse susto também! Ainda com o agravante de haver uma grave mal formação na mão direita da minha pequena! Fui atendida por um ultrassonografista sensacional, que identificou a golf ball, e me disse que isoladamente não quer dizer nada demais. Na mesma ultra vimos a mãozinha incompleta! Chorei muuuuuuito, mas os dois sustos passaram rápido! Meu GO tratou logo de tirar as caraminholas da minha cabeça! Hj Elis está com 1ano e 5meses! A mal formação da mão nada teve a ver com a golf ball, nem tem comprovação genética!!!

Franciane Monique disse : Guest Report 5 years ago

Nunca havia escutado sobre isso. Muito válido essa contribuição. Qualquer mãe, ainda que não de primeira viagem, se sentiria angustiada com esse diagnóstico. Muito bom saber que não é prejudicial e nem traz complicações. Sensacional histórias como essa!

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