09 de abril de 2015
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Depressão Pós Parto (DPP)

Minha gravidez estava transcorrendo tranquilamente. Eu trabalhava, preparava o enxoval e os exames estavam ótimos, sem nenhuma alteração. Eu me sentia tão bem que o planejamento era trabalhar até duas semanas antes da data prevista para o parto. Nunca imaginei que teria Depressão Pós Parto.
Como nem tudo acontece conforme o planejado, na vigésima quinta semana acordei de madrugada tendo contrações e elas não pararam mais. Fui afastada do trabalho pois tinha que ficar de repouso e fui encaminhada para um obstetra especialista em gestação de alto risco. Diariamente eu agradecia por ter nos sido concedido mais um dia para a evolução e o amadurecimento do Dudu e graças ao esforço conjunto as metas foram sendo atingidas. Chegamos em 29 semanas, 32 semanas, 35…até 39 semanas, data em que aconteceu o parto.
No decorrer destes meses a ansiedade e preocupação foram enormes e a cada vez que as contrações começavam era impossível conter os pensamentos: será que vai evoluir, se o Dudu nascer agora ele vai precisar de muito tempo de UTI neonatal e até o medo dele ser frágil demais para sobreviver. E então, sem que eu percebesse, minha mente desenvolveu um mecanismo de compensação que, na verdade, era uma armadilha: eu estava aguentando tudo aquilo, mas seria recompensada com um parto normal ótimo acompanhado de uma recuperação tranquila.
No dia 13/6/2012, às 18:30h o trabalho de parto começou. Estava indo jantar com o Vinícius em comemoração ao dia dos namorados e me sentia tão bem e tão segura que curti o jantar, mesmo monitorando as contrações que vinham de seis em seis minutos. Do restaurante fomos direto para o hospital onde fui internada com seis centímetros de dilatação. As contrações e dilatação continuaram evoluindo até a almejada dilatação completa, mas eu não tinha me preparado para possíveis complicações e foi o que aconteceu.
O Dudu ficou preso e, depois de ter passado por todo o trabalho de parto, sem anestesia fui para a cesárea. Senti uma frustração difícil de explicar. Não aconteceu nenhuma complicação ou intercorrência durante a cirurgia e Dudu nasceu super bem. Tivemos alta dois dias depois e pude levá-lo comigo que era algo que me assombrou bastante durante as incontáveis ameaças de parto prematuro. Eu ter que ir para casa sem meu filho nos braços.

Depressão Pós Parto (DPP)
por Fátima Melo

Em casa sentia um alívio imenso, a sensação de que o sufoco tinha ficado para trás (eu não podia imaginar que estava só começando). Eu estava bem, Dudu lindo e saudável e o apoio da família era incrível, mas, mesmo assim, eu chorava muito, um choro sofrido e difícil de controlar. Além disso, comecei a sentir um desânimo e uma falta de energia terríveis, não tinha vontade de levantar da cama e um sinal amarelo se acendeu. Procurei ajuda e o que eu temia se confirmou: eu estava com depressão pós parto. Eu não queria tomar remédio por causa da amamentação, mas há medicamentos que são compatíveis. Eu só não esperava que o meu pequeno apresentasse sensibilidade ao remédio. Decidi, então, suspender o medicamento para que ele continuasse mamando no peito.
Enquanto isso o meu quadro só piorava e quando ele estava com um mês de vida decidi desmamá-lo para retomar o tratamento porque do modo como estava era perigoso meu filho ficar sem mãe. Sofri demais por isso pois atualmente existe uma ditadura do parto normal e do aleitamento materno que massacra a mulher. Como se as nossas próprias cobranças já não fossem suficientes.
Aos poucos os sintomas foram melhorando e posso dizer que seguir o tratamento foi fundamental para que isso acontecesse. Hoje meu filho tem nove meses, eu retomei o meu trabalho e continuo em tratamento. Eu sei que algumas pessoas me aconselhariam a não me expor falando sobre a depressão, mas, sinceramente, não tenho vergonha nenhuma de dizer que estou em tratamento de depressão pós parto. É uma doença extremamente sofrida e difícil, que exige muito esforço e força de vontade para ser superada.
Estou participando ativamente do movimento pela melhoria do sistema de saúde privado porque penso que devo fazer o que estiver ao meu alcance para que o meu filho tenha melhor qualidade de vida. Atualmente estamos na segunda petição pública sobre o assunto e é extremamente importante a adesão de todos.

Sei que muitos devem estar se perguntando se estou curada e posso responder que ainda não, mas estou no caminho!”

Fátima Melo faz parte do grupo Padecendo no Paraíso e, mesmo em tratamento, tem atuado no movimento pela melhoria do sistema médico tento criando dois abaixo assinados, o primeiro deles foi fundamental garantir que o fechamento do PA do Vila da Serra.

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