01 de agosto de 2019
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Autismo e amizade por Priscila Fernandes

Essa é uma daquelas histórias que uma mãe posta no grupo, faz todo mundo chorar a e gente pede pra publicar aqui, porque muito mais gente merece ler! É sobre autismo e amizade e quem contou pra gente foi a Priscila Fernandes.

Autismo e amizade

Acabo de ler um anônimo sobre a mãe que tem um filho autista e senti que tenho que contar uma coisa pra vocês.

Letícia tem 8 anos, em janeiro, na primeira reunião de pais da escola nos apresentam a professora nova, falamos da programação para o ano. A professora nova nos falou que a mãe de uma criança especial queria se apresentar e falar algumas coisas que ela achava importante agente saber.

Ela falou que era mãe do Pedro, que era autista, e que como ele era novo na escola, e as crianças não estavam acostumadas a conviver com uma criança especial, ela estava com muito medo. Ela disse que estava sem dormir de preocupação a semana toda pensando como seria o primeiro dia de aula do filho. Nos deu algumas dicas que como a gente devia falar para os nossos filhos sobre o filho dela. Sobre como se comportar com ele. Disse que ele não se socializa bem com as outras crianças, que grita, que atira objetos, e que já aconteceu dele agredir uma criança. Falou que era pra gente ter paciência e empatia.

A professora garantiu pra gente que ele ia ter uma acompanhante e que não ia acontecer nada de ruim, que ia ser um ano genial de muito aprendizado para as crianças com esse amigo “diferente”. Contei pra Letícia sobre ele e ela ficou super curiosa pra conhecê-lo.

Início das aulas

Primeiro dia de aula e a Letícia chega revoltada, brava demais mesmo! Falou que a professora exigiu que ela sentasse de dupla com o Pedro, e que ele só ficava olhando pra ela, e queria mexer no cabelo dela e quando ela disse pra ele parar ele começou a gritar e se jogou no chão.

Não vou mentir, na hora pensei: meu Deus que absurdo, coitada da minha filha, ela não tem que passar por isso! Abri o aplicativo da escola e escrevi um textão. Mãe protetora que sou, escrevi que eu até entendia que ele tinha problema, mas que não podiam fazer isso com minha filha. Ela nunca conviveu com ninguém assim, como ia saber como tratar? E que meu medo era dele agredi-la.

Delizadeza

A professora, com toda delicadeza, me respondeu que foi o Pedro quem escolheu a Letícia para fazer dupla. Ela foi a única que, na entrada, puxou conversa com ele. Ela pediu para dar mais uma chance pra ele. O desconhecido assusta, mas ensina também. Foi só o primeiro dia dele, se você está assim, imagina a mãe dele, que não tem o que fazer diante disso. Se você quiser mudo ela de lugar, mas tenho certeza que vocês vão perder a oportunidade de aprender a conviver com as diferenças. Imagina que belo exemplo você vai dar pra sua filha.

Caiu uma bomba na minha cabeça! Foi um tapa na cara! Pensava: meu Deus que ser ruim eu sou! Que ser ruim eu estou criando! Coitada da mãe, olha o que eu estou fazendo!

Senti vergonha do textão, ela pediu empatia e olha oque eu fiz. Sentei com a Letícia, li a mensagem da professora ela me olhou e disse logo:

Ah, manhê! Não me obriga a sentar com ele não!

Claro que não, mas vamos dar mais uma chance pra esse amigo. Conheço seu coração, sei que você vai aprender a aceitá-lo e será amiga dele.

Festa junina

O tempo passou e ela nunca mais falou nada sobre o Pedro. Eu também esqueci o assunto até que, na festa junina da escola, encontramos ele, a mãe e a avó. A mãe me olhou como se tivesse alguma coisa errada. Pensei: “O que a Letícia fez?”

Na hora da dança a mãe chegou perto, disse que ele nunca fez nenhuma apresentação, que ela estava nervosa demais, com medo de dar errado, dele fazer alguma coisa que não devia.

Meu marido falou pra ela que não tem problema, que isso é só pra eles se divertirem! E ela suava frio, esfregando as mãos sem parar, até que eles entraram. Pedro parou na entrada da quadra e de lá não saía de jeito nenhum. A avó começou a falar pra mãe:

Tira ele de lá, tira ele de lá!

Ela disse bem baixinho: não acredito que isso está acontecendo comigo. As outras mães comentando: ué o garoto parou na porta, o que aconteceu? A mãe só olhava pra ele quase que implorando pra alguma coisa fazê-lo se mover. Para ela não ter que sair, no meio daquela multidão doida pra apontar o dedo, e tirá-lo ele de lá. Ela falava baixinho entra meu filho, entra.

A dança

Todas as crianças posicionadas, a professora parou deu uma olhada pra Letícia, e ela que já estava abaixada pra coreografia levantou, foi até ele, falou uma coisa no ouvido dele, e ele andou junto com ela, chegou perto da turma, e se apresentou.

Fiquei imóvel, não conseguia fazer nada. Me senti mal. Depois me senti feliz! Senti tudo! Senti minha falta de empatia no começo do ano. Senti a dor da mãe que estava ali do meu lado. Senti amor pela minha filha. Senti orgulho. Para vocês terem ideia, eu e meu marido não conseguimos tirar uma foto dela dançando!

Pedro dançou do jeito dele, parava, dançava. Mas estava claro que estava se divertindo muito. A mãe aos prantos batendo palmas. A avó filmando e explodindo de alegria!

Em casa perguntei ela o que ela tinha falado dito a ele. Ela disse:

Entra Pedro ninguém vai olhar pra você! Eu vou ficar com você!

Ela era só felicidade, e eu também. Uma coisa floresceu em nós aquele dia. Era mágico, todo mundo tão feliz e satisfeito.

Amiga

No último dia de aula, antes das férias, mais uma surpresa linda, ele a chamou de amiga, deu um abraço super apertado disse:

Vou sentir sua falta amiga!

A mãe dele e eu caímos no choro. Ela me mandou uma mensagem falando que ele nunca teve uma amiga, que esse afeto que ele tem com ela é uma coisa rara demais, nova pra eles. Me agradeceu por tudo! Falei pra ela do nosso começo, e ela me disse:

“É isso que as mães e os pais têm que entender. As diferenças existem. A maior prova de amor não está em dar tudo que seu filho quer ter e sim ensinar ele tudo que ele precisa saber sobre fazer o bem pra ele e para o próximo!”

Esperamos que essa história sobre autismo e amizade te ajude a ver o outro lado. Sempre podemos ser pessoas melhores. E se você precisa de mais dicas sobre esse assunto a gente recomenda que você leia esse texto:

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