26 de fevereiro de 2019
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Preconceito racial

“Preto quando não caga na entrada, caga na saída.” Se você não tem estômago para o preconceito racial, não leia o texto que irei narrar.

Este é um tema que sempre causa muito desconforto, tantos aos brancos e aos negros. Aos brancos, porque talvez traga à tona algo que seja desumano, sob todas as óticas e aos negros, porque expõe uma ferida, diariamente aberta.

Relacionamento com um homem negro

A frase acima, eu a ouvi, quando assumi um relacionamento com um homem negro. Namoramos e nos casamos, sob os olhos racistas da minha família e por parte de alguns amigos. Juro que quando ouvi esta frase de uma pessoa muito próxima a mim, senti-me incomodada e extremamente ofendida. Seguir em frente, sabedora de que isto era apenas a ponta do iceberg, foi revelador, surpreendente e decepcionante. Eu não tinha noção do que era vivenciar na pele, o preconceito racial. Não tinha a menor noção do que era ser visto como “ marginal”, no sentido literal e figurado, por ser negro. Ele surgia de diversas formas… do mais escancarado ao velado em forma de “ preocupação”.

Um dia, andando de mãos dadas com meu marido em um Shopping da Zona Sul, uma senhora que vinha em sentido contrário, olhou-nos e torceu o nariz. Fez isto na minha cara, reprovando-nos de forma acintosa. Não me fiz de rogada; – Dirigi-me a ela de maneira educada e perguntei se ela me conhecia de algum lugar, pois eu talvez, pudesse ter me esquecido. Ela se esquivou da minha abordagem e eu insisti, pois para que ela tivesse torcido o nariz para nós, ela possivelmente nos conhecia e saberia algo a nosso respeito. Meu marido, disse que era para deixar para lá, pois isto e outras experiências, ele passava todos os dias.

Já foi confundido com um flanelinha que tomava conta de carros. Ele estacionava, descia do carro e um sujeito perguntou quanto ele cobrava para olhar o carro dele. Esta cena, possivelmente o autor da fala, jamais esquecerá. Meu marido estava me deixando para que eu fosse à aula de graduação. Eu andei um pouco mais rápido, e alcancei o sujeito. – Ei moço! Você equivocou-se ali na rua, agora a pouco. O rapaz que o senhor achou ser flanelinha, é meu marido. Ele é funcionário público da Receita Federal. Sorri para ele e percebi que se ele tivesse um buraco na frente, enfiaria sua cabeça. Entrar em restaurantes um pouco mais requintados, os olhares voltados para nós, era como se estivesse entrando 2 ET`s. Além de funcionário público, ele é músico. Usava cabelão rastafári.

Ilustrei 1/100 do que passamos juntos, ao longo de nosso namoro e casamento. Conversávamos com muita maturidade e verdade em casa e o quanto não agir com agressividade, nos fortalecia. Ouvi muitas vezes dele que, sair atacando as pessoas com palavras agressivas e rotulando de racistas, jamais seria a solução.

Esta é uma luta de toda a sociedade.

Não é apenas uma luta dos negros, afrodescendentes e afins. Todos nós, temos esta obrigação. Por muitas vezes, sem a menor ilusão ou inocência, me questionei a respeito da não aceitação de uma pessoa negra, pois somos alma, matéria, e o sangue é o mesmo. 
Por que a cor, segrega e afasta tanto? 
Comecei a compreender o ódio de uma maneira muito crua. E comecei a perceber que a polarização e atitudes separatistas, eram visíveis. Em festas de amigos e familiares dele, eu era vista como uma intrusa, como uma inimiga. Não sei afirmar com certeza se era por ódio ou por rejeição. Mas pude perceber que a atitude segregadora, era bilateral. 

O que uma branca faz em uma festa de gente preta? Veio fazer o que aqui?

Rah! Simples! Fui me divertir como os demais. Socializar e estreitar laços, como qualquer pessoa faz em um evento ou encontro social! 
Aos poucos, fomos nos aproximando e quebrando a rejeição, por parte deles, de uma maneira muito honesta e simples. Deixamos claro e tácito, que o respeito, era de mão dupla. E as risadas, começaram a ser mais frequentes e soltas. Fui testemunha de piadas entre eles, de maneira debochada e alegre, sobre a cor, sobre os seus cabelos, sobre a condição social, sem perder a leveza. Mas isto, não muda em nada, o preconceito vivido todos os dias. Não muda os olhares, ao ser confundido com um marginal, pronto para te assaltar. Infelizmente, esta é uma dura realidade. Dura de sentir na pele.

Eu adotei sozinha, uma menina negra.

Ela tinha quase 4 meses. Ao me inscrever no juizado, escolhi apenas sexo e uma faixa etária. Dei a ela o nome de Bárbara. Fiz promessa para Yansã, meu orixá. 
Ouvi de uma pessoa o seguinte:

_ Junya, adotou uma “ chipanga”.

Pela primeira vez, revelei o meu lado mãe leoa. Meu recado foi educado, firme e contundente; Não me importava a cor dela. Ela era a minha filha e querendo ou não, isto não mudaria nossa condição familiar. Se a cor era um problema para o preconceituoso, ele tinha duas opções; A oportunidade de conviver conosco ou de se afastar. Penso que a pessoa teve a oportunidade de refletir a respeito e optou pela convivência. A minha filha, é muito querida por ela. 

Mas isto, não muda a realidade. Se eu fosse relatar tudo que vivenciei ao lado dela, ao longo destes 10 anos de vida que ela tem hoje, daria um livro com alguns capítulos bem ruins. Diria que muito mais capítulos bons e felizes! 

O mais recente, foi entrar com minhas duas filhas, (eu tive uma filha após a chegada da Bárbara – loira, branca de olhos azuis) em uma rede de farmácias. Bárbara, bicho solto, já foi logo para a seção de brinquedos para vê-los. Antes que eu pudesse alcança-la com os olhos, já estavam rondando-a o gerente e o segurança da loja. Eu, uns 15 metros afastada, mas de olho na cena. É uma farmácia que vamos sempre, desde que ela chegou. Tomou lá algumas vacinas e alguns dos atendentes a conhecem desde bebê. Larguei minhas compras no balcão de atendimento e dirigi-me à ela de forma carinhosa, peguei em sua mão e a trouxe para perto de mim, chamando-a de filha. Os dois, desapareceram da minha frente como dois raios. O rapaz que me atendia, veio atrás de mim, com a cesta de medicamentos na mão para me entregar, pois eu havia “esquecido” no balcão.

_ Fulano, muito obrigada pela sua atenção, mas eu desisti de comprá-los. A cena que eu acabei de presenciar, foi lamentável. Minha filha é uma criança e tão pequena, já é vítima da ignorância e do preconceito por ser negra. O que foi feito aqui, foi uma estupidez e é uma pena que eu não possa processá-los por injúria racial, pois não teria como provar. Relate isto ao seu gerente, por favor, pois eu o vi fazendo isto, junto com o segurança da loja. Minha outra filha, aquela loirinha ali, fazia a mesma coisa que minha outra filha fazia e no entanto, não foi “ perseguida” pela loja.

Não disse isto na frente delas, por vergonha de ter que explicar o que é uma pessoa estúpida e irracional.
Nem tudo foi colorido e cor de rosa. Tive meus momentos de fúria e me rebelei muitas vezes, quando de alguma maneira, a atacavam por ser negra. Recentemente, estudando a história da escravidão brasileira, ela me perguntou o que era racismo e para o que ele servia. Porque as pessoas não gostavam dos negros. Esta pergunta, está entalada na minha garganta até hoje. Qualquer resposta que eu dê a ela, passará por juízo de valor e se eu fizer isto, estarei ensinando a ela, o que é preconceito e ódio. 
Ela já me questionou por ser de cor diferente:

– Filha, Deus faz as pessoas diferentes. Se todas fossem iguais, não teria graça. Se todos tivéssemos o mesmo nariz ou o mesmo olho, já pensou?

Ensino-a a ser altiva, independente, dona de si e portadora de todos os direitos que lhe são permitidos como ser humano. Ela aprende a transitar em todos os meios, de uma forma respeitosa e saudável, de cabeça levantada. Já a chamaram de “escurinha” na escola. Chegou triste da aula. Já falaram do cabelo dela e ela respondeu que o cabelo dela é lindo, fofinho, limpinho e cheiroso. Já disseram a ela que ela é preta e a mãe é branca. Que a outra mãe, não a quis e a jogou no lixo. Sim. Ela ouviu isto de outras crianças. Pensa que ela se fez de rogada? Continuou na dela, fazendo-se presente e aprendendo a ignorar lindamente. Eu a ensino e não permito a não se vitimizar por nada; Por ser adotiva, por ser negra e por ser menina. Não fico reforçando algo que não pode ser mudado. Não fico lembrando que ela é negra é deverá carregar as dores do mundo por isto. Não é assim que podemos vencer as dificuldades e a estupidez humana. 
Um dia, vi uma entrevista da Maju, Maria Júlia Coutinho, que foi brilhante; 
Perguntaram a ela, como ela fazia para driblar o preconceito racial. A resposta dela, foi bem simples.

O pai, sempre foi um homem muito voltado para cultivar a felicidade e o amor. Ele, ensinara aos filhos, a não baixar a cabeça por nada. Não se dobrar às ofensas. 
Me senti feliz por perceber que estou no caminho certo. 
Esta semana, estava em uma loja de festas com a minha filha, olhando alguns adereços para que pudéssemos brincar no carnaval. Ela, achou uma peruca Black Power e a trouxe até a mim e disse:

_Mamãe, compra esta peruca pra você ficar com o cabelo igual ao meu?

Acho que eu não preciso dizer mais nada, não é mesmo? 
Bom dia!

Junya Sant Anna

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11 de fevereiro de 2019
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As vacinas do seu filho estão atualizadas?

Em alguns estados do país, como Paraná e Espírito Santo, a caderneta de vacinação passou a ser obrigatória para a realização de matrículas em escolas públicas e particulares, como forma de atestar que vacinas do seu filho estão atualizadas conforme recomenda o Ministério da Saúde.1,2,3 A medida tem como objetivo a tentativa de reverter os baixos índices de imunização infantil, mas ainda não há uma regra federal sobre o tema. Em 2017, o país registrou os mais baixos índices de vacinação em mais de 16 anos.3 

Sendo ou não obrigatório apresentar a caderneta de vacinação para realização das matrículas, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomenda que as vacinas dos alunos estejam em dia, para prevenir casos de doenças de transmissão interpessoal, considerando o convívio em ambientes coletivos, como as salas de aula.4

“É importante que os pais e responsáveis não deixem as vacinas das crianças em atraso. A imunização é uma das melhores formas de proteção contra doenças sérias como meningite meningocócica, poliomielite, catapora e pneumonia, que podem até levar a óbito, especialmente crianças pequenas. Além disso, alguns bebês e crianças não podem receber determinadas vacinas devido a alergias graves, sistemas imunológicos debilitados ou outras razões. Para ajudar a mantê-los protegidos, é importante que outros membros da família estejam vacinados. Isso não apenas protege sua família, mas também ajuda a prevenir e evitar a disseminação de doenças para essas pessoas”, afirma Dr. Jessé Alves, infectologista e gerente médico de vacinas da GSK.

O Ministério da Saúde orienta a vacinação das crianças de acordo com o calendário do Programa Nacional de Imunizações (PNI) e todas as vacinas recomendadas no PNI estão disponíveis gratuitamente nos postos de saúde pelo Sistema Único de Saúde (SUS).5,6

A Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) possuem calendários de vacinação com recomendações que complementam o PNI, abrangendo também vacinas que atualmente só estão disponíveis na rede privada para a imunização das crianças e jovens. 7,8,9

Meningite Meningocócica

Uma das doenças graves que pode ser prevenida por vacinação é a meningite meningocócica. Trata-se de uma infecção bacteriana das membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal, podendo causar sequelas e até mesmo levar a óbito. Ela é causada pela bactéria Neisseria meningitidis que possui 12 sorogrupos identificados,sendo que cinco deles são os mais comuns (A, B, C, W e Y).10,11

A vacinação é uma das melhores formas de prevenção contra a doença.11,12 Outras formas que podem ajudar na prevenção incluem evitar aglomerações e manter os ambientes ventilados e limpos.12

Atualmente, existem vacinas para a prevenção dos 5 sorogrupos mais comuns no Brasil, a vacina contra a meningite meningocócica causada pelo tipo B e a vacina contra os tipos A, C, W e Y.7,8,11 A vacina para a prevenção do meningococo B está indicada a partir dos 2 meses de idade até os 50 anos, somente disponível na rede privada.7,13

A vacina para prevenção da doença meningocócica causada pelos tipos A, C, W e Y é recomendada na rede privada a partir dos 3 meses de idade.7,8 Nos postos de saúde, a vacina contra a doença causada pelo meningococo C é gratuita para crianças menores de 5 anos de idade e adolescentes de 11 a 14 anos.6,7

Importante ressaltar que a meningite meningocócica não é uma doença só de criança e cerca de 10% dos adolescentes e adultos são portadores da bactéria, podendo transmití-la para outras pessoas através da saliva e partículas respiratórias, sem necessariamente desenvolver a doença.10,14  

Por isso, a vacinação é um recurso importante para a prevenção das doenças infecciosas em crianças, adolescentes e adultos.6,12

Material dirigido ao público geral. Por favor, consulte o seu médico.

Sobre a GSK

Uma das indústrias farmacêuticas líderes no mundo, a GSK está empenhada em melhorar a qualidade de vida humana permitindo que as pessoas façam mais, sintam-se melhor e vivam mais. Para mais informações, visite www.gsk.com.br.

Referências:

  1. GOVERNO DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO. Governador sanciona lei que exige cartão de vacinação do aluno para efetivação de matrícula em escolas no Espírito Santo. Disponível em: <https://www.es.gov.br/Noticia/governador-sanciona-lei-que-exige-cartao-de-vacinacao-do-aluno-para-efetivacao-de-matricula-em-escolas-no-espirito-santo>. Acesso em: 23 de jan. 2019
  2. SECRETARIA DA SAÚDE DO PARANÁ. Carteira de vacinação é obrigatória em escolas paranaenses. Disponível em: <http://www.saude.pr.gov.br/modules/noticias/article.php?storyid=6276>. Acesso em: 23 de jan. 2019
  3. SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Governo estuda exigência de carteirinha como forma de estimular a adesão à vacinação de crianças e adolescentes. Disponível em: <http://www.sbp.com.br/imprensa/detalhe/nid/governo-estuda-exigencia-de-carteirinha-como-forma-de-estimular-a-adesao-a-vacinacao-de-criancas-e-adolescentes/>. Acesso em: 18 de jan. 2019.
  4. SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Volta às aulas: Sociedade Brasileira de Pediatria divulga conjunto de recomendações para garantir a boa saúde dos escolares. Disponível em: <http://www.sbp.com.br/imprensa/detalhe/nid/volta-as-aulas-sociedade-brasileira-de-pediatria-divulga-conjunto-de-recomendacoes-para-garantir-a-boa-saude-dos-escolares/>. Acesso em: 18 de jan. 2019.
  5. BRASIL. Ministério da Saúde. A vacinação ainda é a melhor forma de prevenir doenças. Disponível em: <http://www.blog.saude.gov.br/index.php/promocao-da-saude/52650-a-vacinacao-ainda-e-a-melhor-forma-de-prevenir-contra-doencas>. Acesso em: 18 de jan. 2019.
  6. BRASIL. Ministério da Saúde. Vacinação: calendário nacional de vacinação. Disponível em: <http://portalms.saude.gov.br/saude-de-a-z/vacinacao/calendario-vacinacao>. Acesso em: 18 de jan. 2019.
  7. SOCIEDADE BRASILEIRA DE IMUNIZAÇÕES. Calendário de vacinação da criança: recomendações da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) – 2018/2019 [atualizado até 26/08/2018]. Disponível em: <https://sbim.org.br/images/calendarios/calend-sbim-crianca.pdf>. Acesso em: 18 de jan. 2019.
  8. SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Calendário de vacinação da SBP 2018. Disponível em: <http://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/21273g-DocCient-Calendario_Vacinacao_2018-set.pdf>. Acesso em: 18 de jan. 2019.
  9. SOCIEDADE BRASILEIRA DE IMUNIZAÇÕES. Calendário de vacinação do adolescente: recomendações da Sociedade Brasileira de Imunização (SBIm) – 2018/2019 (atualizado até 29/08/2018). Disponível em: <https://sbim.org.br/images/calendarios/calend-sbim-adolescente.pdf>. Acesso em:  18 de jan. 2019.
  10. WORLD HEALTH ORGANIZATION. Meningococcal meningitis. Disponível em: <www.who.int/en/news-room/fact-sheets/detail/meningococcal-meningitis>. Acesso em: 18 de jan. 2019.
  11. SOCIEDADE BRASILEIRA DE IMUNIZAÇÕES. Doença meningocócica (DM). Disponível em: <https://familia.sbim.org.br/doencas/88-doenca-meningococica-dm>. Acesso em: 18 de jan. 2019.
  12. BRASIL. Ministério da Saúde. Meningite: causa, sintomas, prevenção e tratamento, 2018. Disponível em: <http://portalms.saude.gov.br/saude-de-a-z/meningites>. Acesso em: 18 de jan. 2019.
  13. BEXSERO [vacina adsorvida meningocócica B (recombinante)]. Bula do produto.
  14. ERVATI, M.M. et al. Fatores de risco para a doença meningocócica. Revista Científica da FMC, 3(2): 19-23, 2008.


BR/VAC/0008/19
– Fevereiro/2019

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