14 de março de 2016
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Sexo frágil, não foge à luta

Sexo frágil, não foge à luta. Inês Peixoto, Roberta Zampetti, Ana Flávia Sanglard, Bebel Soares, Fabíola Paiva e Ludmilla Rangel, seis mulheres fortes e delicadas conversam sobre o espaço da mulher contemporânea.

Rita Lee disse que mulher é bicho esquisito. Geralmente apontada como sensível e delicada, ela, a mulher da atualidade, tem se mostrado forte e decidida, cuida da vida, do lar e da família, emocional e financeiramente. Porém continua sendo tachada como fraca e é oprimida. O Centro Cultural Minas Tênis Clube convidou um time de mulheres conhecidas e reconhecidas para bater um papo sobre o espaço da mulher contemporânea. Intitulada “Sexo frágil não foge à luta”, a conversa será no dia 19 de março, às 15h, no café do espaço. A entrada é franca.

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Ana Flávia, ex-atleta da seleção de vôlei, Inês Peixoto, Grupo Galpão, Bebel Soares, página Padecendo do Paraíso, Roberta Zampetti, Rede Minas, e Ludmilla Rangel e Fabíola Paiva, do site Fashionistando, vão falar sobre o papel e o espaço que a mulher ocupa e deseja conquistar na sociedade atual. Essas moças, com idades e vivências muito distintas têm em comum a vida atribulada de toda mulher que trabalha, que casou e que teve filhos.

Sexo frágil, não foge à luta.

Atualmente as mulheres não estão mais aceitando aquele tratamento que lhes era dedicado, há um forte movimento de empoderamento feminino que aparece de várias formas. Vezes delicada e as vezes de forma mais rude e violenta abrindo para a discussão desse comportamento e podendo afirmar que a sua força pode ou não ser bruta. Sexo frágil, não foge à luta.

A lei Maria da Penha foi uma conquista e, desde que foi sancionada, em 2006, aumentou o número de denúncias de agressão contra a mulher, porém, segundo dados divulgados em matéria do jornal Valor, Minas Gerais é o segundo estado mais violento para as mulheres.

Outra questão que preocupa o sexo feminino é a liberdade e decisão sobre o seu corpo. Descriminalização do aborto é uma delas e agora, com a epidemia da Zika e o perigo da microcefalia esta questão voltou (se é que saiu) da pauta de vários veículos de comunicação e discussões.

É claro que, além de assuntos polêmicos, as meninas também vão falar de beleza, sexo, comportamento e moda, tudo aquilo que passa nas cabeças das milhares de mulheres em todo mundo. Porque, como disse Joyce Moreno, essa mulher é feita de sombra e tanta luz, de tanta lama e tanta cruz, que acha tudo natural.

As meninas do bate-papo

Meninas de diferentes áreas de atuação, essas moças são especialistas e campeãs no que fazem.

  • Ana Flávia foi capitã da Seleção Brasileira de Voleibol Feminino que conquistou a medalha de prata no Mundial de 1994 e bronze na Olimpíada de Atlanta de 1996, a primeira medalha olímpica do voleibol feminino.
  • Inês Peixoto atriz integrante do reconhecido Grupo Galpão, na televisão participou do especial “A Paixão Segundo Ouro Preto”, de Rogério Gomes e Cininha de Paula; das minisséries “Hoje é Dia de Maria” e “Hoje é Dia de Maria- Segunda Jornada”, de Luiz Fernando Carvalho, “A Cura”, de Ricardo Waddington; “A Teia”, de Rogério Gomes; e da novela “Meu pedacinho de chão”, de Luiz Fernando Carvalho e “Além do Tempo”, de Rogério Gomes. Já foi agraciada com 12 prêmios por sua atuação em teatro e dois prêmios por sua atuação em cinema.
  • Bebel Soares é arquiteta por formação e mãe por vocação. Criadora do Padecendo no Paraíso, que soma mais de vinte mil seguidoras, que compartilha as dúvidas, as alegrias e as loucuras de ser mãe.
  • Roberta Zampetti é relações públicas e jornalista, 60 anos, casada, mãe de um filho. Está na Rede Minas de Televisão há 30 anos e foi a primeira apresentadora da emissora, inicia em março a apresentação do programa Sou60, que tratará do envelhecimento.
  • Fabíola Paiva é jornalista, especializada em moda e comunicação digital. Há quase uma década criou o Fashionistando, competente site de moda e comportamento.
  • Ludmilla Rangel é jornalista especializada em moda. Junto a Fabíola Paiva comanda o site Fashionistando, que está saindo do mundo online e partindo para novas mídias.

Serviço

Local: Café do Minas Tênis Clube
Bate-Papo: Sexo Frágil não foge à luta
Participantes:

  • Ana Flávia Sanglard (ex-capitã da seleção de 1994 de vôlei)
  • Inês Peixoto (atriz do grupo Galpão)
  • Bebel Soares (criadora do Padecendo no Paraíso)
  • Roberta Zampetti (jornalista e apresentadora)
  • Fabíola Paiva e Ludmilla Rangel (criadoras do site Fashionistando)

Data: 19 de março – sábado
Horário: 15h
Local: Café do Centro Cultural Minas Tênis Clube (rua da Bahia 2.244 – Lourdes)
Entrada franca

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11 de março de 2016
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Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa – por Aline Pádua

Há duas semanas deparei com uma situação que me chocou. No maior Conjunto Integrado de Cultura do Brasil, O Circuito Cultural Praça da Liberdade, a nossa Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa, que abriga uma biblioteca infantojuvenil estava fechada em plena manhã de sábado; dia mais propício para passeios em família.

Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa 

por Aline Pádua

Na portaria me informaram que agora a biblioteca está funcionando apenas um sábado sim e outro não por contenção de despesas com funcionários e por terem poucas visitas. E assim, nos foi sugerido, voltarmos na semana que seguinte. Eu estava com meu filho, de menos de quatro anos, e minha filha de menos de dois anos.

Precisava ver a carinha do meu filho quando lhe disseram que aquele dia não abriria. Início do ano letivo com muitos incentivos na escola que está com uma brinquedoteca nova, aquele dia ele queria vivenciar o espaço com a família; com sua irmãzinha que é fascinada por livrinhos.

Sou filha de professores e prezo muito o contato com livros, que estimula o desenvolvimento e a busca de conhecimentos. Considero a leitura um momento de lazer.

Voltamos no sábado do dia 05 de março e os meninos aproveitaram bastante o espaço. Com a biblioteca infantojuvenil funcionando no térreo melhorou muito e as crianças estão aproveitando muito mais. Não achei que estava com pouco movimento. O tempo todo tinha várias crianças usando a brinquedoteca e a biblioteca, fazendo pesquisas e leituras. O espaço está muito bacana.

Biblioteca Luiz Bessa 2
Arquivo pessoal Aline

No site e em sua divulgação ainda não consta esta alteração no atendimento. Não vejo justificativa de um espaço tão importante no aprendizado de uma criança diminuir seus dias de funcionamento. Vejo que teria era que divulgar mais o espaço e funcionar mais dias. Principalmente por estar situado em um ponto turístico do Estado e fazer parte de um conjunto cultural tão importante.

 

Aline Ribeiro de Pádua

Arquiteta e Padê

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02 de março de 2016
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Violino extra numa orquestra

Me chamo Fernanda e sou casada com o Carlos. Conto aqui como descobri o que acontece quando temos um violino a mais numa orquestra, ou quando soube que minha bebê tem Síndrome de Down. Depois de um ano de casada, eu e meu marido decidimos ter um filho e, em 2011, tivemos o Benício. Um menino lindo, alegre e cheio de saúde. Não poderíamos ter uma vida melhor, até que decidimos que mais um filho poderia sim alegrar ainda mais a nossa casa e nossas vidas.

Violino extra numa orquestra

Tudo aconteceu muito rápido. Parei de tomar o anticoncepcional em um mês e no mês seguinte já estava grávida. Ficamos um pouco apreensivos por ter sido tão rápido, mas ao mesmo tempo muito felizes com a notícia de mais um integrante da família. Passei por muitos enjoos e mal estar nos primeiros meses, como na primeira gestação. Cheguei a emagrecer 6kg! Fiz o pré natal desde o  início e todos os exames que devem ser realizados realizado durante a gravidez. Sempre ansiosa, contava os dias para ir na Dra. Simone Figueiredo, minha ginecologista e obstetra, para ouvir o coraçãozinho do meu bebê.

E o ultrassom, então, não via a hora de fazer e saber que meu bebê estava ótimo. Nem passava pela minha cabeça a possibilidade dela ter Síndrome de Down. Com quase 4 meses de gravidez, descobrimos que teríamos uma princesa e não poderia deixar de homenagear uma das pessoas mais importantes da minha vida, minha mãe, Regina. Ela se chamaria Maria Regina… e desde então, esse nome soa como música em meus ouvidos.

Tirando o princípio da gravidez, com os enjoos constantes, o restante foi muito tranquilo. Me sentia linda, feliz e realizada.

Chegou o dia do parto, dia 05/06/2014, estava programado para as 18h. Pela manhã fui ao salão de beleza fazer escova nos cabelos, fazer unha…queria estar linda para receber a Maria Regina. Mas nesse dia eu só sabia chorar. Era uma angústia, um medo, uma aflição…talvez seja normal…medo de acontecer alguma coisa comigo…e quando temos filhos, nada pode acontecer,  pois temos que ser “eternos” para cuidar deles.

Chegou a hora… fui para sala de parto. O Carlinhos sempre comigo e Dra. Simone com aquela alegria contagiante.

Maria Regina nasceu, mas não ouvi mais as mesmas brincadeiras como ouvi logo depois que o Benício nasceu. A Dra. Simone não me disse que  ela era linda, como disse quando o Benício nasceu. Tinha alguma coisa estranha, mas não sabia o que era. Levaram a Maria Regina junto com o Carlinhos, pois ela estava com um pouco de dificuldade de respirar e eu fui sozinha para a sala de repouso. Por quê? Quando tive o Benício, ele ficou comigo o tempo inteiro! Porque estava sendo diferente com ela?

Eles chegaram… fiquei mais aliviada! Colocamos Maria Regina para mamar. Quanto amor! Até que enfim ela estava nos meus braços. Mas tinha algo que me “machucava”… as enfermeiras passavam e achavam lindos todos os bebês. Ficava só ouvindo os comentários…e ninguém falava da minha…vou ser muito sincera que me doía muito. Normal estar bem fragilizada… tinha acabado de sair da sala de parto.

“Ainda não havia percebido a Síndrome de Down.”

Desde que ela veio para mim, achei ela um pouco “diferente”, mas não sabia o quê. Ainda não havia percebido a Síndrome de Down. Nem comentei com Carlinhos, achei melhor guardar só para mim. Mandamos fotos dela para família e quando me disseram que ela era linda, já respondi dizendo que ela parecia nordestina…(risos) mas não sabia se era isso mesmo que eu achava…

Amanheceu e fui acordada com a visita da Dra. Simone. Ela chegou cinco e meia da manhã para me visitar e me deu a notícia que nunca imaginei um dia receber…  “Fernanda, a Maria Regina tem Síndrome de Down”, disse Dra. Simone. Desmoronei! Fiquei sem chão! Estávamos todos em prantos. Eu, Carlinhos e a Dra. Simone. Ela me disse que o Carlinhos tinha sido avisado na sala de parto, mas queria que ele não me contasse para que eu pudesse descansar um pouco.

Fiquei desesperada! O que seria das nossas vidas? O que eu deveria fazer? Quem procurar? Será que eu saberia dar tudo o que a Maria Regina iria precisar? Será que a Maria Regina iria sofrer nesse mundo com tantas injustiças?

Bom, a Maria Regina teve uma icterícia muito forte e com isso teve que ficar 7 dias no hospital. Foram 7 dias chorando de manhã, à tarde, à noite e de madrugada. Já estava quase sem forças. Queria ir logo para casa. Estar longe do Benício me angustiava ainda mais. Foi uma eternidade. Ufa, chegou o dia de ir para casa. Estava eufórica. Não aguentava mais um segundo no hospital.

Parece que foi preciso chegar em casa para me recompor. Esqueci o diagnóstico de Síndrome de Down da Maria Regina. Ela era uma bebê como qualquer outra. Quer dizer, com uma grande diferença, é minha!

Desde então comecei a buscar tudo o que era melhor para ela. É claro, com a ajuda da Dra. Gena, pediatra dela e do Benício, que sempre se mostrou disponível para nos ajudar no que fosse preciso.

Através dela fomos ao Dr. Zan Mustachi, em SP, especialista em Síndrome de Down. Nunca vou esquecer o que me disse: “A Maria Regina é como se fosse um violino a mais numa orquestra. Um violino a mais pode causar um estrago, mas com um bom maestro, talvez ninguém perceba que nessa orquestra há um violino a mais!”.

Desde então, Maria Regina vem nos surpreendendo com sua desenvoltura e esperteza… com 2 meses iniciou as terapias para tratar a Síndrome de Down. Faz fono duas vezes na semana, fisioterapia 2 vezes e Terapia Ocupacional 1 vez na semana  (sendo que a TO ela iniciou com 1 ano).
A Maria Regina sentou com 7 meses e hoje, com 1 ano e 3 meses, já se senta sozinha, se arrasta para pegar o que quer, se levanta, caminha com apoio.

Estamos sempre estimulando nossa princesa e sabemos que essa estimulação estará presente durante muitos anos de nossas vidas. Mas fazemos com todo amor. O que eu posso dizer dela?

É uma criança linda, saudável, doce, de um carisma inigualável e capaz de fazer tudo o que qualquer outra criança faz. Tenho até que me policiar, porque não consigo me desgrudar dela, meu chicletinho! E se alguém me perguntar se sou feliz, sou muito feliz e agradeço a Deus todos os dias pela família maravilhosa que Ele me deu. E digo mais, nunca vou medir esforços para fazer o melhor para meus filhos!

por Fernanda Guanaes

Violino extra numa orquestra Síndrome de Down
Arquivo pessoal

 

Leia mais histórias lindas de outras crianças com Síndrome de Down:

http://padecendo.com.br/ill-stand-by-you-fernanda-almeida-furtado/

http://padecendo.com.br/a-historia-da-maria-luisa-por-maria-de-lourdes-couto-rocha/

http://padecendo.com.br/a-historia-da-mariana/

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