18 de novembro de 2015
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Gabi, eternamente

Tenho um marido maravilhoso duas filhas lindas, a Carol de 8 anos e a Duda de 4. Sempre quis ter mais um filho, ou melhor, mais uma filha. Tinha certeza que minha missão seria ter três FILHAS, três princesas, mas como meu marido não queria de jeito nenhum e eu já estava com 40 anos, entrando precocemente no climatério, nossa decisão foi tomada: ficaríamos só com as duas… Resolvida, mas não conformada, segui a vida… mas no meu íntimo eu sabia que faltava a Gabi. Dividi isso com a família e amigos próximos, nunca escondi meu desejo, falava na Gabi como se ela gritasse pra mim que queria vir ao mundo. Mas a decisão estava tomada e pronto.

Gabi - Fernanda Renno
Arquivo pessoal Fernanda

Gabi, eternamente – por Fernanda Rennó Rocha

Um belo dia, acordei com a certeza de estar grávida, e estava. Mesmo achando aquilo um absurdo e impossível de acontecer, pois tinha tido relação com meu marido apenas uma vez, nove dias antes do período fértil, com quase 41 anos e entrando no climatério, fiz o teste que comprovou minha suspeita. Pânico! Marido reagiu muito mal, não queria de jeito nenhum. Foram três meses de luta, sem contar pra ninguém e tentando convencer o Moreco (é assim que o chamo). Como sofri… mas lutei com toda minha força e um dia gritei pro mundo ouvir: Estou grávida!!!! Depois que espalhei a notícia, ele ficou uns dias sem conversar comigo, mas o jeito foi aceitar e não demorou muito para que ele também começasse a amar aquele serzinho que estava dentro de mim.

O tempo passou, fiz o pré natal direitinho, todos os ultrassons e para minha felicidade total descobrimos que a Gabi estava mesmo a caminho! Confesso que fiquei o tempo todo apreensiva, com medo de algo que não sabia o quê. Cada ultrassom satisfatório era um alívio. Desde o quarto mês, não me senti bem, falava com a médica e ela dizia que era normal… um cansaço extremo, falta de ar… mas pra todo mundo isso era “piti de grávida” pois exames de mamãe e bebê estavam sempre bem.

Dia 04/08/14 chegou o tão esperado dia do ultrassom morfológico, estava com 22 semanas. Fui apreensiva mas saí de lá aliviada, segurando aqueles papéis como se fossem a minha vitória. Tudo normal com a Gabi, tinha foto até dos dedinhos das mãos e dos pés! Passei no mesmo dia pela minha médica e mostrei orgulhosa meu exame, mas, mais uma vez disse, a ela que eu estava cada dia mais cansada, cada dia me sentindo pior. Então ela me aconselhou a ir a um cardiologista só para desencargo de consciência. Tive uns dias conturbados e só consegui marcar o médico para dia 26/08, 22 dias depois da consulta com ela. O médico me avaliou e percebeu que meus batimentos cardíacos estavam em 120, o que não é normal. Saí de lá com um pedido de um Holter e um ecocardiograma, que foram marcados pra daí a 3 dias e uma lista de exames de sangue, os quais foram feitos na manhã seguinte e ficaram prontos no mesmo dia. Resultado: alteração na minha tireoide. 

Estava então entrando na semana 27 de gestação. Ao relatar o resultado para minha GO ela pediu que me internasse no mesmo dia e me deu um encaminhamento para o alto risco do Vila da Serra. Lá fui eu, até então achando que o problema era só comigo… Quase 24 horas no P.A., sem atendimento, a GO de plantão não viu motivos para eu ser internada, não pediu ultrassom e encaminhou para um clinico. Horas terríveis e intermináveis, até que uma técnica de enfermagem ficou com dó de mim e foi até o médico do alto risco, que não me olhou, mas deu um pedido de ultrassom.

Isso foi dia 27 e eu tinha em mãos um ultrassom feito dia 04 totalmente normal. 

Às 15:30 fui chamada, ainda no PA, para fazê-lo e meu mundo desabou… Gabi tinha hidropsia severa, um acúmulo de liquido no corpo todo, em volta dos órgãos e cérebro. A médica nem acreditou quando mostrei o exame feito dia 04, e ainda me disse que não teria jeito… Fui internada imediatamente e passei por uma cesariana às 21:00 horas, pois só então viram que eu também corria risco de vida… 

Gabi nasceu linda… num parto que mais pareceu um filme de terror… foi para a UTI onde foi detectada uma má formação congênita no coração, ele não tinha as 4 divisões e o sangue se misturava lá dentro… Erro médico no ultrassom morfológico que ainda relatava a total normalidade do coração, mas não colocou foto. E foi isso que provocou sua hidropsia e quase minha morte.

Minha filhinha lutou, mas às 22:00 horas do dia seguinte, 28/04, fui vê-la e vi que sofria demais… e então, com toda minha força de MÃE, pedi à Deus para levá-la, fui atendida duas horas depois…

Hoje estou melhor, choro menos e compreendo mais… entendi aquela minha certeza de uma vida inteira que seria mãe de três meninas. Ela não está mais junto de mim, mas será sempre meu anjinho… minha Gabi… que vou amar eternamente. Gabi, eternamente…

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