06 de julho de 2015
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Ruptura prematura das membranas – Milagres Acontecem – Helen Pedrosa

Escrevo este texto para contar a todas vocês que, definitivamente, milagres acontecem. Estava grávida e tive ruptura prematura das membranas.

Era uma sexta-feira quando resolvi fazer um último exame pré cirúrgico, o ultrassom abdominal. Lá estava eu, quando, de repente, a médica me pede pra esperar e chama um tal Dr. Luiz pra ver algo na tela. Com certeza ela tinha localizado um câncer e estava chamando o oncologista, Dr. Luiz.

O tal doutor chegou e eles conversaram intermináveis minutos sem me falar nada. No meio dos meus pensamentos ela me chama e diz que o Dr. Luiz era ginecologista e que tinha uma vesícula, mas que tinham que confirmar com HCG e ultrassom endovaginal.

Grávida!

Fui ao céu e voltei nesse momento. Grávida? Eu? Como assim? E os anticoncepcionais? Eu mãe? Que sensação boa e amedrontadora ao mesmo tempo. Sai da sala e liguei pro Leandro contando a novidade. Liguei pra minha mãe, pro meu pai, pra minha irmã. Grávida!

Saí de lá, fiz teste de farmácia. Positivo. Fiz Beta HCG. Positivo.  Eu, em pânico com a novidade e o Leandro feliz e saltitante.

Na semana seguinte tive um sangramento, que me fez conhecer o médico mais sensacional de todos os tempos. Fiquei de repouso, tomando uns hormônios..

Quanto entrei na décima sexta semana, minha cachorrinha me acordou de madrugada. O colchão estava todo quente e molhado. Todo molhado de líquido amniótico. Quando me sentei, saiu muito mais líquido. Quando me levantei, saiu o resto. Tive uma ruptura prematura das membranas. O Leandro não tinha a menor condição de dirigir, queria pegar táxi, mas não achávamos nenhum disponível. Ai eu, na loucura, falei que ia dirigir, enfiei uma toalha no meio das pernas e ele nem questionou. Eu tava disposta a qualquer coisa para salvar meu Arthur.

Ruptura prematura das membranas

Helen Pedrosa

Chegamos na maternidade, e o médico do PA já falou que não conseguia ouvir o coração, que era assim mesmo, que isso acontece, que às vezes o próprio organismo tenta eliminar um embrião com má formação e que era pra eu ficar de repouso e esperar abrir o ultrassom, o que só ocorreria às oito da manhã.

O Leandro, tão órfão quanto eu, resolveu ligar para nosso médico, que logo chegou ao hospital e veio conversar comigo.

Ele me  disse que nessa idade gestacional, quando há ruptura da bolsa, ruptura prematura das membranas, a indicação médica é mesmo o aborto pois o feto é inviável. Que, mesmo que não abortasse, eu poderia entrar em trabalho de parto a qualquer momento. Que a ruptura era uma porta de entrada para infecções. Que eu poderia perder meu útero e que, mesmo que eu segurasse o bebê por um tempo, ele poderia nascer prematuro extremo, com sequelas. E me disse para pensar bem em todas as possibilidades, mas ele só falaria depois do ultrassom.

No ultrassom, não sei nem explicar o que senti. Meu bebê lá, com pouco líquido mas com batimentos cardíacos normais. Meu marido já deu o grito, dizendo que jamais deixaria abortar se o bebê tava vivo. Com a sabedoria de poucos, meu médico nos confortou durante toda a manhã e me internou.  Fiquei uma semana internada tomando antibióticos e fazendo ultrassom. Do nada, parou de vazar o líquido e eu sabia qual seria a minha maratona a partir de então.

Tive alta, continuei tomando umas vitaminas, os antibióticos e também anticoagulantes (porque minha família tem histórico de trombofilia) e permaneci de repouso a partir de então. No começo foi desesperador, porque, apesar do médico ter dito para não procurar sobre isso no Google, foi a primeira coisa que eu fiz. Todos os casos que li não tinham sido bem sucedidos. Na maioria o bebê morreu ainda no útero ou nasceu prematuro extremo e morreu logo depois.

Resolvi parar de ler histórias tristes

Eu estava decidida a contrariar as estatísticas.

Meu marido parou de trabalhar para cuidar de mim, virou meus pés e minhas mãos. Fiquei de repouso do dia 26/11/13 até o dia 7/4/14, foram longos meses na cama e eu  só levantava pra tomar uma banho rápido (sentada) e só  saía para ir ao hospital, mesmo assim com muito cuidado, sem andar quase nada.

Quando eu estava com 34 semanas meu líquido começou a baixar muito e rápido. Ai tomei  os corticoides para o pulmãozinho do Arthur, e já na semana seguinte tive que fazer a cesariana pois meu líquido tinha zerado. No ultrassom já não dava pra ver nada, não tinha mais líquido.

Meu bebê nasceu no dia 7/4/14 pesando 2,520kg e medindo 43 cm. Apesar do Apgar 8/9, ele teve dificuldade respiratória depois, ficou em observação no berçário mas teve que ir pra UTI porque foi diagnosticada pneumonia. Foram mais 15 longos dias no hospital. Confesso que ver meu bebê entubado, todo furadinho, tão frágil  no meio daquela parafernália hospitalar não foi fácil, padeci demais. Mas tudo passou, tudo valeu a pena.

Escrevo esse texto  para que  todas as mamães que tem problemas na gravidez não desistam de seus bebês, especialmente aquelas que tiveram ruptura prematura das membranas, milagres acontecem. Tomara que um dia, numa pesquisa no Google, uma mãe caia bem aqui, nessa história de esperança! Hoje eu tenho meu milagrezinho nos braços. O Arthur está com 4 meses, sem nenhuma sequela, o desenvolvimento dele é excelente. Ele está aqui, gordinho, lindo, saudável, trazendo luz para toda a nossa família e eu agradeço a Deus e ao meu médico todos os dias por essa vitória.

Helen Pedrosa

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