11 de maio de 2015
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Engravidar depois de ligar as trompas

A história da Margarete começa igual a de muitas moças: estudou, namorou, trabalhou… se formou, se casou… Mas uma coisa que não estava no script era engravidar depois de ligar as trompas!

Família Grande: Fora de Moda 
Margarete Possa Stanighe

Comecei namorar meu marido muito nova, tinha dezesseis anos, namoramos por seis anos. Quando me formei, nos casamos. Logo depois eu já queria filho, seis meses e eu já estava grávida. A alegria durou pouco, alguns dias depois de descobrir a gravidez, comecei  sangrar. Meu Deus, que desespero!  Fui ao médico, o bebê estava lá, coração batendo, tudo certo. Repouso total.

Assim se passaram três meses e eu ficando louca, na cama! Eu nunca tive paciência, nada que fosse parado eu aguentava, vocês podem imaginar esse tempo na cama? Até que uma noite, uma cólica muito forte e um sangramento maior ainda… O esperado.
Depois de uma curetagem e seis meses de espera, ordens médicas, lá estava eu, de novo grávida! Que alegria, que medo! Será que vai acontecer de novo? Quinze dias e o sangramento apareceu, desespero, esse foi o sentimento que me envolveu. Foi um susto e passou rápido. Com seis meses minha pressão subiu e por esse motivo tive que controlar a alimentação. Mas graças a Deus e a minha médica, que antecipou a cesárea, Rafaela nasceu sem nenhum problema. Além da pressão alta, Rafaela fez cocô dentro do útero. Rafaela é minha primeira princesa.

Dois anos e dez meses depois nasce meu príncipe Vitor, que alegria! Nesta gravidez não tive problema algum. Deus tinha me presenteado com um casal de filhos. Eu estava com vinte e sete anos. Lógico que nenhum médico iria me operar pra não ter mais filhos. Essa questão nem foi cogitada.

Eu e Carlão estávamos realizados, dois filhos (UM CASAL) e nós muito jovens, isso significava muitas viagens, iríamos curtir muito. Carlão começou trabalhar muito jovem e vai aposentar jovem também. Resumindo: filhos crescidos + Casal aposentado = viagens. Mas não foi isso que aconteceu, foi algo muito melhor, algo DIVINO!

Mudança para Aracaju

Rafaela estava com sete e Vitor com quatro anos quando mudamos para Aracaju, nossa que mudança radical. De Itatiba, interior de São Paulo para o nordeste. Nunca havia pensado na possibilidade de sair da cidade natal, minha visão do nordeste era horrível. Meu marido já estava trabalhando lá há três anos, não tinha jeito, era ir ou separar. Foi a melhor coisa que fiz, amei morar lá. Nossa família ficou muito unida, fizemos amigos maravilhosos. Fomos morar próximo ao mar, lógico! Demorou uns quatro meses para cair a ficha que não estávamos de férias e assim a vida seguiu. Como em toda casa a rotina se instalou, trabalho, escola, casa, praia e festas nos finais de semana.

Eu por duas vezes rejeitei o DIU, então optamos em fazer tabela e usar camisinha, sempre fui super-regulada (tipo relógio mesmo). Voltando de uma festa, lógico que os dois mega alegres, rolou um sexo muito bom e sem proteção nenhuma. Quando acabou eu fiquei brava e Carlão lembrou-me que eu estava menstruada, fiquei tranquila e menstruei mais uns cinco dias. Passaram-se os dia e eu comecei ter um sono inexplicável, preguiça de tudo e nada da menstruação chegar. Fiquei tranquila e achei que era o começo de uma menopausa, pois minha mãe entrou muito cedo, enfim, esperei mais uns dias e nada. Então resolvi fazer o teste de farmácia, positivo na hora!

O sonho

Quando acabei de fazer o exame, lembrei-me de um sonho muito louco que tive uns dias antes. Sonhei que estava em um lugar muito bonito, passeava e de repente encontrei com uma menina de uns três ou quatro anos, ela chorava muito. Isso me incomodou bastante e eu fui falar com a garotinha, tentei de tudo, mas ela não parava de chorar. Com a voz chorosa me falou que ninguém gostava dela. Lógico que eu falei que isso não existia que todas as pessoas têm alguém, uma pessoa amada. Mas a menina não parava e me disse que ninguém a queria. Meu Deus, isso não existe! E foi neste momento que essa menina entre soluços me olhou dentro dos olhos e disse: “Você não me quer!” Affff! Eu quase morri, na mesma hora, sem pensar em nada e chorando muito, abri meus braços e falei: “Pode vir que estou te esperando de braços abertos!” Foi um sonho muito real e neste momento tive a certeza que seria uma menina e chamaria Letícia (que significa FELICIDADE). Sem falar que minha Letícia é muito chorona.

A gravidez de Letícia não foi nem um pouco fácil, tive sangramento até o quinto mês. Repouso, enjoo, fome exagerada e muito hormônio. Além disso, achei que ia morrer na hora do parto. Tinha tanta certeza disso, que até separei as roupinhas por dia. Fazia com que meu marido decorasse a sequência, principalmente a que sairia da maternidade. Vocês podem imaginar o desespero do pobre, ele não assistiu o parto, acho que ficou muito impressionado. Eu engordei nesta gravidez só trinta quilos! No final da história deu tudo certo e nascia minha Letícia, a segunda princesa.

Ligando as trompas

No parto, terceira cesárea, foi feita a cirurgia para não ter mais filhos. A médica foi me falando tudo que ia fazendo. “Estou cortando o lado direito, estou cauterizando, lado direito ligado.” E da mesma forma do lado esquerdo. Depois do parto, eu tinha que ficar tranquila, três filhos, tudo certo. Eu não conseguia relaxar, todo mês sonhava que estava batendo na médica, porque estava grávida. As vezes comentava com Carlão e ele ria, falava que eu estava louca, que tinha ficado neurótica, então eu calava.
Quando Letícia fez um aninho, mudamos para Belo Horizonte, como toda mudança, aquela bagunça, uma loucura! Começar de novo! Colégio, aulas extras, clube, dentista, médicos, enfim, tudo novo de novo, só que agora com uma filha a mais!

Na minha primeira consulta com a ginecologista pedi um exame hormonal, queria ter certeza se realmente estava na menopausa. Eu tinha razão! Fiquei mais tranquila, mas os sonhos da gravidez não paravam, todos os meses eles apareciam. Morar em BH nos trouxe uma coisa muito boa, em seis horas podíamos estar em Itatiba, nossa cidade! Quase todo mês carregávamos o carro e pegávamos a estrada, que alegria estar mais perto da família.E foi num carnaval, lá em Itatiba, que eu comecei passar mal. Nossa e como eu passei mal, durante o dia tomava todos os remédios que encontrava e a noite ia para o clube brincar carnaval. Bebi muito, fumei muito e dancei muito!

Engravidar depois de ligar as trompas!?

Todos os dias falava com minha mãe, acho que estou grávida, Letícia está grudada comigo e eu com esse mal estar. Minha mãe me chamava de louca, todos riam de mim, me achavam neurótica. Voltamos pra BH e minha barriga começou crescer, achei melhor procurar minha médica. Ela também achou graça da minha preocupação e me tranquilizou. Isso não é gravidez, um hormônio acabou e o corpo não tem como menstruar, por esse motivo o mal estar. Mesmo assim ela me passou vários exames, incluindo uma densitometria óssea e um endovaginal. Marquei os exames e lá fui eu!

Primeiro fiz a densitometria óssea e na espera do endovaginal, fiquei conversando com outra paciente. Ela estava com suspeita de gravidez e era ligada. Eu já estava tranquila neste ponto, a médica já havia me tranquilizado. Quando essa paciente saiu da sala de exame, chorava muito, ela estava com gravidez na trompa. Fiquei assustada e entrei na sala, era a minha vez. O exame começou e eu comentei com o médico sobre a moça que acabara de sair, que ela estava muito triste. Foi aí que ele me falou: “A gravidez dela é nas trompas, não tem jeito, bem diferente da sua, que está super bem!” Quê?!! (Risos, até gargalhadas). Isso é pegadinha? Onde está a câmera?

E o médico com a maior paciência me mostrava o coração do bebê, falava comigo, me explicava os detalhes, enfim, demorou mais ou menos uns quarenta minutos para cair a ficha, e quando caiu eu chorei e chorei muito. O médico assustado me perguntou se eu chorava de emoção. Minha resposta o assustou um pouco. Não, eu não sei explicar, chorei por vários sentimentos. Um mix de sentimentos. Nunca senti nada parecido. Vocês podem imaginar ??? Acho que não! Pense em saber que nunca mais vai engravidar, ser mãe! E de repente, lá está, um coração com um corpinho se mexendo dentro de você, emoção, muita emoção! Ah, também fiquei apavorada, desesperada e com medo. Medo sim! Medo de não conseguir dar o básico que as crianças precisam. Quatro! Ai, meu Deus! Quatro!

Onde comem três, comem quatro

Engravidar depois de ligar as trompas… Foi assim, com todos esses pensamentos e sentimentos que eu cheguei a casa e dei a notícia para a família. Como Carlão é mais equilibrado. Na hora olhou pra mim e riu, me tranquilizou, me abraçou, me beijou e falou: “Onde comem três, comem quatro!”

A notícia causou! Causou alegria, fofocas, críticas… As pessoas são muito engraçadas. Ouvimos de tudo:
– Parabéns!
– Meu Deus!
– Tá fora de moda ter muitos filhos!
– Lógico que você vai processar o médico!
– Carlão não desconfiou de você? (Fui EU que liguei e não ele, absurdo!)

Não fizemos nada, só curtimos a gravidez. E como curtimos. Uma família inteira curtindo uma gravidez, foi mágico! Rafaela nossa filha mais velha, assistiu o nascimento de Isadora nossa terceira princesa e quarta filha. Assim enchemos uma mesa de seis lugares, o carro tem que ser grande, a casa tem que ter no mínimo quatro quartos e por incrível que pareça, os convites para as festas diminuíram muito (muitas bocas pra comer)!

Somos uma família grande e feliz, muito feliz. Agora estou doida pra ter netos!

A vida como ela é…

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