21 de abril de 2017
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Melissa na Alemanha – Padecendo pelo Mundo

Eu sou a Melissa, sou de São Luís do Maranhão, mas fiz faculdade de Artes Plásticas e Arquitetura em Belo Horizonte, onde vivi por 13 anos, por isso me considero belorizontina de coração. Morei em vários lugares até que fui parar na Alemanha.

Como tudo começou

Em 2007 me mudei para Madrid na Espanha. Em Madrid aprendi muita coisa, fiz amigos de todas as partes do mundo e entre essas pessoas conheci meu marido, um alemão simpático e conversador! Depois de dois anos juntos nos casamos.

Em 2011 decidimos mudar para o Brasil, a princípio para Belo Horizonte, mas meu marido não gostou da cidade, o gringo queria mesmo praia, e acabamos nos mudando para o Rio de Janeiro.

Em 2013 nosso primeiro filho nasceu, voltei a trabalhar após 6 meses e escolhemos colocá-lo numa creche, logo os gastos aumentaram bastante e algumas preocupações começaram a nos incomodar, meu marido pensava no futuro e dizia loucurinhas tipo

“Ah, mas quando ele for para o jardim de infância ele vai na escola pública né?
E quando ele tiver 7 anos pode ir de bicicleta sozinho”

Oi?? Não querido, deixa eu te explicar umas coisinhas aqui… Nem todo estrangeiro entende de cara como é viver no Brasil e do porquê de tanta disparidade social. Pensamos bem e decidimos mudar para a Alemanha. Saímos do Rio em março de 2016.

Melissa na Alemanha

Melissa na Alemanha

Desde que me casei estive várias vezes na Alemanha, conheci muitas cidades e também todos os amigos e familiares do meu marido, então não era nada de novo, a novidade era que agora eu tinha um filho! A adaptação do nosso filho está sendo tranquila, acho que o mais complicado é a língua, que ele ainda mistura com o português. Eu estou me adaptando bem, me sinto respeitada como cidadã e ser humano, gosto também do estilo de vida e da cultura alemã.

Dificuldades

  • Moro longe da minha família brasileira há mais de 20 anos, por isso não tenho problemas com a distância.
  • Mas já me encontrei com alguns brasileiros por aqui (e de outros países também), e para a maioria é complicado estar longe da família;
  • Se identificar e se encontrar em uma nova cultura, pode ser complicado.
  • A cultura alemã às vezes é difícil, eles são muito diretos, não há indiretas ou eufemismos, para um brasileiro isso muitas vezes é interpretado como grosseria ou acham que é discriminação, não é verdade, o alemão trata assim a mãe dele também, é normal, assim como para um brasileiro é normal dizer “qualquer coisa eu te ligo” ou “isso é bonitinho”, para o alemão isso pode soar um pouco estranho.
  • Outra dificuldade é o idioma, é uma língua bem diferente do português e é complicado sim, inglês ajuda no início, mas se você pretende ficar por aqui o alemão é essencial.
  • Há também o problema profissional, muitos brasileiros com diploma universitário vem para cá achando que vão “bombar”, mas as vezes isso não acontece porque é preciso ter um bom nível de alemão, daí a pessoa tem que trabalhar em outras áreas diferentes ou consideradas “inferiores”.

Criação e educação infantil na Alemanha

A criação e educação das crianças é bem diferente do Brasil, acho que as crianças aqui têm muita liberdade e desde pequenas são incentivadas a serem independentes.

Meu filho caiu no chão? Eu saio correndo como uma louca para ajudar, a mãe/pai alemães em geral não, eles olham e gritam de longe:

“vai levanta, você consegue!”

eles incentivam a criança a tentar primeiro.

Algumas vezes vejo crianças de bicicleta em grupinhos, sem os pais por perto, na primeira vez que vi uns garotinhos de uns 8-10 anos assim chamei meu marido super assustada e disse “tem umas crianças perdidas aqui, chama a polícia!!”, claro que meu marido riu, mas enfim, é normal as crianças irem sozinhas para a escola, padaria, brincar no parque, andar de transporte público, quando eu era criança no Brasil era assim também, mas hoje em dia, principalmente nas cidades grandes, acho que não dá muito para fazer isso.

E os pais? É impressionante, tem dias que eu vou ao parquinho com meu filho e só tem homem, só tem pai! Outro dia vi um pai com 3 crianças, era 1 no sling, outro no carrinho e um maiorzinho de bicicleta, na escolinha do meu filho o número de pais que levam seus filhos para a escola é praticamente igual ao de mães.

Acho que é assim porque a sociedade e o estado entendem que a responsabilidade da criação da criança é dos pais, não só da mãe, a licença maternidade por exemplo, dura 12 meses (e dá para estender esse prazo!), nesse período AMBOS podem dividir o tempo e receber a remuneração correspondente para poder ficar em casa com o bebê, por exemplo, o pai pode pegar 4 meses e a mãe 8 meses.

As escolas são muito boas e, quase todas, são públicas. Bom, essas são só algumas impressões minhas, mas acho que deu para entender que, de um modo geral, é bem legal!

Resumo

Acho que morar em outro país só é válido se a pessoa está aberta a viver plenamente essa experiência, você deve se adaptar ao lugar, o contrário nunca acontecerá.

Sei que a situação do Brasil atual é muito bizarra, e muita gente quer sair do país, mas eu conheço estrangeiros que optaram por viver e criar seus filhos no Brasil e são muito felizes, também conheço brasileiros que moram na Alemanha e não gostam.

No final das contas não é exatamente o lugar o mais importante, são as pessoas e as relações que você cria com o lugar que realmente importam para a felicidade.

De que adianta viver num país onde o transporte público é excelente mas que você não se identifica com o lugar?

De que adianta as escolas serem maravilhosas se as pessoas que você mais amam estão longe?

Mas se você acha que sim, que essas coisas são mais importantes sim, e que você e sua família estão dispostos a superar todos os obstáculos, #tamojunto!

 

A felicidade é um problema individual. Aqui, nenhum conselho é válido. Cada um deve procurar, por si, tornar-se feliz”
Sigmund Freud.

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1 Avaliação de Melissa na Alemanha – Padecendo pelo Mundo

Poli disse : Guest Report a week ago

Adoro suas crônicas, merecem ser publicadas. Adorei...

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